segunda-feira, 28 de setembro de 2009

♥ Poeminha do prazer


O sumo prazer humano
Sente o ser que é seduzido
Não apenas pela leitura
Mas, sobretudo, pelo livro
Porque o livro é o corpo
E a leitura, o espírito...


(Bruno Bezerra)

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

♥ Árvore

O Dia da Árvore é comemorado em todo o mundo e em datas diferentes. Aqui no Brasil, foi escolhido o dia 21 de setembro, que marca o início da primavera e historicamente o culto dos índios às árvores, ao preparar o solo para cultivo. Neste dia existem muitas iniciativas em se plantar árvores.

As árvores crescem sós. E a sós florescem.
Começam por ser nada. Pouco a pouco
se levantam do chão, se alteiam palmo a palmo.
Crescendo deitam ramos, e os ramos outros ramos,
e deles nascem folhas, e as folhas multiplicam-se.
Depois, por entre as folhas, vão-se esboçando as flores,
e então crescem as flores, e as flores produzem frutos,
e os frutos dão sementes,
e as sementes preparam novas árvores.
E tudo sempre a sós, a sós consigo mesmas.
Sem verem, sem ouvirem, sem falarem.
Sós.
De dia e de noite.
Sempre sós.
Os animais são outra coisa.
Contactam-se, penetram-se, trespassam-se,
fazem amor e ódio, e vão à vida
como se nada fosse.
As árvores não.
Solitárias, as árvores,
exauram terra e sol silenciosamente.
Não pensam, não suspiram, não se queixam.
Estendem os braços como se implorassem;
com o vento soltam ais como se suspirassem;
e gemem, mas a queixa não é sua.
Sós, sempre sós.
Nas planícies, nos montes, nas florestas,
a crescer e a florir sem consciência.

(António Gedeão)

domingo, 20 de setembro de 2009

♥ Amém


Pelo retrovisor enxergamos tudo ao contrário
Letras, lados, lestes
O relógio de pulso pula de uma mão para outra e na verdade... ]
[ nada muda
A criança que me pediu dez centavos é um homem de idade ]
[ no meu retrovisor
A menina debruçando favores toda suja
É mãe de filhos que não conhece
Vendeu-os por açúcar
Prendas de quermesse
A placa do carro da frente se inverte quando passo por ele
E nesse tráfego acelero o que posso
Acho que não ultrapasso e quando o faço nem noto
O farol fecha...
Outras flores e carros surgem em meu retrovisor
Retrovisor é passado
É de vez em quando... do meu lado
Nunca é na frente
É o segundo mais tarde... próximo... seguinte
É o que passou e muitas vezes ninguém viu
Retrovisor nos mostra o que ficou; o que partiu
O que agora só ficou no pensamento
Retrovisor é mesmice em dia de trânsito lento
Retrovisor mostra meus olhos com lembranças mal resolvidas
Mostra as ruas que escolhi... calçadas e avenidas
Deixa explícito que se vou pra frente
Coisas ficam para trás
A gente só nunca sabe... que coisas são essas


(Fernando Anitelli)

sábado, 12 de setembro de 2009

♥ Gentificando

Gosto de ser gente, porque inacabado, sei que sou um ser condicionado mas, consciente do inacabamento, sei que posso ir mais além dele. Esta é a diferença entre o ser condicionado e o ser determinado.[...] Gosto de ser gente porque, como tal, percebo afinal que a construção de minha presença no mundo, que não se faz no isolamento, isenta da influência das forças sociais, que não se compreende fora da tensão entre o que herdo geneticamente e o que herdo social, cultural e historicamente, tem muito a ver comigo mesmo.

(Paulo Freire)

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

♥ 7 de setembro












Viva D. Pedro Primeiro,
Real príncipe altaneiro!

Entregou o Brasil ao brasileiro,
Num brado forte

Que vibrou de Sul a Norte:
"Independência ou Morte!"

(Magdalena Léa)

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

♥ Cidade queimada de sol




Visitando o Museu de Arte da UFC - MAUC, pude observar este quadro e saber sua história. Cidade queimada de sol (Homenagem a Fortaleza) pintura e poema do fortalezense Antônio Bandeira. Foto batida por mim.






Bom dia
Fortaleza
te ofereço
esse carinho de viajor
do filho
que não sabe
se vem ou se vai
o que olha e medita
indo e voltando
à sua cidade
envelhecendo e remoçando
com ela (ela és tu)

Fortaleza
te ofereço
esse carinho de gente
(porque é gente a que
nasce de teu ventre)
de corpo e alma também
ofereço
cadinho de ferro e bronze
(uma lembrança de meu pai)
cadinho de corpo e alma
esse cadinho de raças
Fortaleza


(Antônio Bandeira)